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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Hyperion Cantos

Um universo onde todos os planetas estão interligados por portais. Um futuro onde a Terra foi destruída por um incidente chamado “O Grande Erro”. Mundos controlados pela chamada “Hegemonia do Homem”. Realidades virtuais. Seitas e religiões em conflito. Inteligências artificiais além do que jamais foi imaginado. Uma rede de informação infinitamente mais complexa que a nossa internet. Uma iminente invasão de uma raça obscura denominada Ousters. Sete peregrinos em uma jornada ao distante planeta Hyperion, habitada pela temida criatura chamada The Shrike.

Esses são os elementos que compõe a série chamada de Hyperion Cantos,vencedora do prêmio Hugo, escrita por Dan Simmons e que consiste em quatro livros: Hyperion, The Fall of Hyperion, Endymion e The Rise of Endymion. Como eu li apenas os dois primeiros, logicamente só eles serão comentados nesse review.

A melhor maneira de descrever os livros de Simmons seria como uma space opera no melhor estilo de Star Wars ou Duna. Ou seja, aquela ficção científica em larga escala, focando muito mais na história do que nos seus detalhes técnicos. De fato, existem diversos elementos fantasiosos que compõe a história.

A história se passa 700 anos no futuro, quando a humanidade se dispersou por diversos mundos. A maioria deles está conectada por portais, compondo assim a WorldWeb, regida pela Hegemonia. Esta é controlada por entidades de AIs que compõe o TechnoCore, capaz de calcular probabilidades e prever acontecimentos. Porém nem tudo é perfeito, e há um elemento que continua imprevisível: o planeta colônia Hyperion; as Tumbas do Tempo e o Shrike, que foram enviados do futuro por razões, motivos e grupos desconhecidos. E mais, os Ousters parecem estar de alguma forma obcecados pelo planeta. Para solucionar isso, o culto dedicado ao Shrike decide enviar sete peregrinos que irão decidir o curso de toda a humanidade.

O primeiro livro trata da narrativa desses sete personagens, cada um apresentado como uma pequena história, estrutura emprestada dos Contos da Cantuária, de Chaucer. As histórias variam de gênero, passando desde ao trágico até o cyber punk. O elemento em comum em todas elas é a presença do Shrike, uma criatura de quatro braços e coberta de espinhos, conhecida também como o Lorde da Dor. Como diz o verso do livro: “Existem aqueles que o veneram. Existem aqueles que o temem. E existem aqueles que juraram destruí-lo.”

Algo que é importante que o leitor saiba é que o primeiro livro não é auto-conclusivo e que assim que o terminá-lo, estará ávido pela continuação. Sua narrativa fragmentada ainda existe, mas não na mesma escala que o livro anterior. Mesmo assim a narrativa se mantém consistente até o final. Toda a história vai muito mais além do que foi descrito aqui, mas explicar mais seria contar spoilers, o que não irei fazer.

E simplesmente não há o que comentar sobre a narrativa de Simmons, que é extremamente “literária”, utilizando referências como o já citado Chaucer, o poeta John Keats (de onde vários nomes são emprestados, inclusive o título “Hyperion”) e Shakespeare, além de referências mais pop como os Beatles, O Mágico de Oz e a série Neuromancer entre outros. Os livros são daquele tipo em que simplesmente não se consegue parar de ler. Parece não haver limites para a criatividade de Simmons, que consegue surpreender a cada capítulo, misturando os mais diversos elementos num universo simplesmente fantástico. Seu trabalho pode ser comparado aos clássicos como Duna, e é uma pena que ele ainda não seja tão conhecido assim, pois seu trabalho é muito bom.

Mas apesar de ainda ser mais “obscuro” para muitos, foi anunciado recentemente que os dois primeiros livros serão adaptados para o cinema em um filme só, a ser adaptado por Trevor Sands. Como ele fará isso, eu não sei, mas espero que isso apresente a série para mais pessoas. Ela merece e muito.

PS: apenas algumas curiosidades: no anime (que eu não assisti) chamado The Melancholy of Haruhi Suzumiya, a personagem Yuki Nagato é vista lendo o livro. Além disso, a banda dinamarquesa de power metal Manticore fez todo um álbum baseado na obra: Hyperion. Curiosidades inúteis, enfim.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Tolkien - O Senhor do RPG

Fim do século XIX. Era mais um dia de verão escaldante nas terras africanas pertencentes ao império britânico, mais especificamente na Cidade do Cabo, África do Sul. Muitos ingleses desembarcavam por essas terras tentando a sorte nas oportunidades que elas ofereciam, principalmente riquezas minerais como ouro e diamante. Até aí nada de especial, exceto por um certo casal que também tentava a sorte como os outros, mas acabaram na verdade gerando um tesouro, um dos maiores escritores de todos os tempos, John Ronald Reuel Tolkien.
Arthur Tolkien e Mabel Suffield, pais de Tolkien, casaram-se na Cidade do Cabo e pouco tempo depois mudaram-se para Bloemfontein onde em 3 de janeiro de 1892 nasceu o pequeno John e dois anos depois, seu irmão Hilary. Entretanto, as coisas não estavam indo muito bem e Mabel e as crianças tiveram que retornar para a Inglaterra em 1895. No ano seguinte, a família passa por um terrível baque: a morte de Arthur Tolkien.
Tolkien ingressa na King Edward's Grammar School e anos depois recebe outro terrível golpe, sua mãe morre de diabetes em 1904, quando Tolkien tinha apenas 12 anos. Órfãos, John e Hilary, acabam indo morar com uma tia, na cidade de Birmingham. Quatro anos mais tarde, John vai estudar em Oxford, se destacando desde cedo.
Em 1914, começa a Primeira Guerra Mundial. Isso não impediu que John se formasse e ganhasse vários prêmios de lingüística e que também se casasse em 1916 com Edith Bratt, uma amiga de infância. Nesse mesmo ano, foi convocado a servir na guerra, indo para a França como segundo-tenente do 11° Corpo de Fuzileiros de Lancashire, exercendo o cargo de oficial sinalizador do batalhão. Lá, ele teve a "febre das trincheiras" fazendo com que retornasse à Inglaterra. Enquanto estava doente, começou a escrever "O Livro dos Contos Perdidos" que serviu de base para o "Silmarillion". Logo depois, nasce seu primeiro filho, herdando o seu próprio nome.
Em 1918, Tolkien retorna aos campos de guerra, só retornando para Oxford quando ela terminou, em 1919. No ano seguinte, seu segundo filho nasce e ele torna-se docente de Língua Inglesa na Universidade de Leeds, tornando-se catedrático anos depois. Por fim, ainda teve mais dois filhos. Christopher, herdeiro e organizador do legado do pai, e Priscilla, a única menina.
Tolkien então começa a escrever o Hobbit que foi publicado em 1937. Por sugestão do editor, Tolkien começa a escrever uma continuação que acabou se tornando a sua mais famosa obra: "O Senhor dos Anéis". Ele finalizou o livro doze anos depois de ter começado a escrevê-lo, mas só foi publicado anos mais tarde, em 1954.
Mas o que essa obra tem de tão especial e importante?
Tolkien introduziu um novo mundo, criaturas, plantas, tudo com um detalhamento impressionante. Povos distintos com suas peculiaridades, crenças, temores, virtudes. Criou línguas, religião, uma geografia impressionante inclusive desenhando mapas. Ele não escreveu um épico e sim, uma verdadeira história. A herança que essas histórias e contos deixaram podem ser vistas em muitos livros, filmes, jogos e falando deste último, ele serviu de inspiração para as bases do Role Playing Game, o RPG.
É inegável a magnitude da obra deste grande escritor que com seus grandes livros (Hobbit, O Senhor dos Anéis, Silmarillion, entre outros...) fez e ainda faz parte da vida de muitas pessoas ao redor do mundo.
John Ronald Reuel faleceu em Bournemouth, aos 81 anos de idade, em 28 de Agosto de 1973. Descanse em Paz, Mestre Tolkien.

Texto originalmente publicado no site RPG-Aqui