DOIS universos... de certa forma DIFERENTES um do outro - um mais VELHO, o outro mais NOVO - recentemente se uniram! Não, não estou falando de
alguma teoria sobre múltiplos universos, nem do recente anúncio de
Mortal Kombat vs. DC Universe (apesar de que isso daria uma excelente rant), e sim dos universos dos filmes e jogos, com o lançamento da primeira parte de MMovie, mais conhecido como "one video game becomes all movies". O trailer abaixo mostra algumas das reencenações de clássicos que eles pretendem fazer, como Terminator, Star Wars, Fight Club e Indiana Jones.
MMovie é um Machinima e, por sua vez, Machinimas são filmes, clipes, animações, etc. que usem recursos de jogos, como cenários, objetos, personagens, até mesmo trilha sonora e efeitos sonoros. A criação do filme é feita tanto pela captura de imagens do jogo em execução (FRAPS e GameCam) quanto por ferramentas externas como Model Viewers, que abrem os arquivos de jogo em busca de seus elementos. O que diferencia o seu Machinima de um simples recording é a narrativa que você cria. Ao invés de ter uma cobertura do jogo "eu e meus amiguinhos jogando", você tem algo como "The Emerald Sword III - The Last Flame of Victory" (lol @ rhapsody). É claro que ir de um pro outro leva tempo, planejamento e esforço, e ferramentas profissionais como Adobe Premiere (lol @ movie maker) podem te ajudar a fazer isso. O
site oficial de Machinima ainda é a melhor referência no assunto.
Caso você tenha chegado até aqui e tudo para você é novo, não se preocupe. Provavelmente você já viu (ou pelo menos ouviu falar) do episódio de South Park envolvendo World of Warcraft. Bem, ele é simplesmente o mais famoso dos "Machinimas que ninguém sabe que é um Machinima", prato cheio tanto pra flamers quanto pra fanboys.
Black Mage em pes--sprite.A história dos Machinimas começa junto dos FPS - Doom, Quake e posteriores - que ofereciam arquivos replay com diferentes camera spots (modo espectador). Considerando que os jogos eram sobretudo em primeira pessoa (FPS, d'uh, apesar de existirem comandos para terceira pesssoa), camera spots faziam de um simples frag uma épica batalha de gênios. Isso foi no começo da década de 90, no entanto, o gênero ganhou atenção somente nos últimos cinco anos, quando surgiram séries Machinima que conquistaram a mainstream, como
Red vs. Blue., sobre Halo. Neste ponto, Machinimas são muito parecidos com webcomics, particularmente falando dos sprite comics (sprites são as imagens 2-D de algum jogo, logo, sprite comics são quadrinhos feitos com essas imagens), como
8-Bit Theater, sobre Final Fantasy I. Parecidos no sentido de que são criados por alguém que é realmente fã daquilo, sabe do que está falando, mas muitas vezes não sabe o que está fazendo - e é aí que está o charme da coisa. Aos poucos o autor deixa a criatividade rolar, domina as ferramentas que está utilizando, adquire cada vez mais adeptos e merecidamente faz daquilo seu ganha pão. O autor de 8-Bit Theater, por exemplo, mantém uma loja virtual com produtos e acessórios da marca, e já publicou livros contendo parte das tirinhas de seu webcomic. É o caso também de Red vs. Blue, ainda que a série tenha parado.
Certas séries podem ter acabado, mas o gênero está longe disso, veja um apanhado de fatos que demonstram isso:
- A Blizzard, criadora e produtora de jogos como Starcraft, Diablo e Warcraft, já há algum tempo utiliza Machinimas para promover novos patches de World of Warcraft (do 2.1 em diante), eventos (dia dos namorados, L70 Elite Tauren Chieftan) e outras coisas aleatórias (April's fools).
- Inclusive, houve muita especulação em torno do filme de WoW, se seria em Machinima ou não, até que a Blizzard confirmasse que os estúdios que fizeram Beowulf estavam produzindo.
- Nos Estados Unidos pelo menos, o programa G4 especializado em jogos, manteve por dois anos uma série sobre a produção de jogos, em Machinima, é claro.
- Já teve direito a um festival no maior estilo Oscar, o
Machinima Festival 2006, sendo que a edição 2008 já foi confirmada.
- E por falar em Oscar, Hollywood teve de reconhecer o primeiro longa-metragem em Machinima a se tornar pop-art,
Anachronox: The Movie.
- Também começam a surgir os primeiros livros sobre Machinima, vide
The Art of Machinima de Paul Marino, um dos pioneiros na área.
- E pesquisadores começam a despertar interesse no uso de Machinima para e-learning de baixo custo e alta qualidade, ou pelo menos foi o que entendi deste
artigo que li.
- Pra não falar da MTV, que exibiu o primeiro clipe feito em Machinima,
In the Waiting Line de Zero 7 (er... whatever?).
Hoje em dia, os principais Machinimas são sobre os jogos Halo, World of Warcraft, Half-Life, até mesmo F.E.A.R., Medal of Honor e Quake. Basicamente jogos ocidentais, para público ocidental. Creio que isto está associado tanto às origens dos primeiros Machinimas, quanto ao maior acesso a workstations capazes de editar e encodar vídeos veloz e virtuosamente, ainda que existam Machinimas relativamente famosos na China, Coréias e Japão. No Brasil não tenho notícia de qualquer Machinima famoso, ainda que haja um
blog nacional.
As séries costumam falar do dia-a-dia dos jogadores (Red vs. Blue sendo o maior exemplo, com várias citações a noobs, campers e leavers), enquanto que situações inusitadas são abordadas por stand-alones Machinimas (existem muitos, não dá nem pra citar...). São frequentes os casos em que pequenos Machinimas são introduzidos a recordings, como os vídeos de kills de bosses da SK Gaming, antiga MYM, guilda hardcore de WoW, e também de vários jogadores de PVP (Player vs. Player), também no WoW, que adoram animar seus personagens todos idênticos. Fan fics e short comedy são bastante fortes nos Machinima, basta entrar em
Warcraft Movies e ver o acervo deles. Em especial os fan fics, que já contam com super produções de mais de uma hora de duração, como é o caso do já citado Anachronox: The Movie, assim como Tales of the Past III (que já falei aqui no blog antes), os lore movies de WoW (Vashj Kael e Illidan, e os Netherwing), assim como paródias musicais, onde não consigo deixar de pensar em
Nyhm e suas várias paródias (Hard Like Heroic, Death Knight Spree, Ni Hao, Pretty Fly (For a Draenei), M.A.G.E., The Molten Chorus, Lockstar, Can't PUG KZ, 30 Seconds of Bliss Epic), todas bem engraçadas (ainda que ele não tenha nenhuma vocação para cantor :P). Finalmente, ainda sobre algum espaço pra arte conceitual, como os vídeos de Baron Soosdon (as séries Unlimited Escapism, Never Stay Tuned e Limited Escapism, I'm So Sick, The Fifth Horseman e o recente The Device Has Been Modified) e a revisão do clássico de H.G.Wells, War of the Worlds (que foi para os cinemas anos atrás com o ilustre cientologista Tom Cruise), no Machinima de Half-Life 2 (que oferece suporte a Machinimas com ferramentas da própria Valve),
War of the Servers.
Espero que tenham gostado, esse post deu um trabalho danado! :P