sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ecce Machinima

DOIS universos... de certa forma DIFERENTES um do outro - um mais VELHO, o outro mais NOVO - recentemente se uniram! Não, não estou falando de alguma teoria sobre múltiplos universos, nem do recente anúncio de Mortal Kombat vs. DC Universe (apesar de que isso daria uma excelente rant), e sim dos universos dos filmes e jogos, com o lançamento da primeira parte de MMovie, mais conhecido como "one video game becomes all movies". O trailer abaixo mostra algumas das reencenações de clássicos que eles pretendem fazer, como Terminator, Star Wars, Fight Club e Indiana Jones.


MMovie, não no Cinema mais próximo de você!


MMovie é um Machinima e, por sua vez, Machinimas são filmes, clipes, animações, etc. que usem recursos de jogos, como cenários, objetos, personagens, até mesmo trilha sonora e efeitos sonoros. A criação do filme é feita tanto pela captura de imagens do jogo em execução (FRAPS e GameCam) quanto por ferramentas externas como Model Viewers, que abrem os arquivos de jogo em busca de seus elementos. O que diferencia o seu Machinima de um simples recording é a narrativa que você cria. Ao invés de ter uma cobertura do jogo "eu e meus amiguinhos jogando", você tem algo como "The Emerald Sword III - The Last Flame of Victory" (lol @ rhapsody). É claro que ir de um pro outro leva tempo, planejamento e esforço, e ferramentas profissionais como Adobe Premiere (lol @ movie maker) podem te ajudar a fazer isso. O site oficial de Machinima ainda é a melhor referência no assunto.


Parte 2 do episódio de South Park "Make Love, Not Warcraft"


Caso você tenha chegado até aqui e tudo para você é novo, não se preocupe. Provavelmente você já viu (ou pelo menos ouviu falar) do episódio de South Park envolvendo World of Warcraft. Bem, ele é simplesmente o mais famoso dos "Machinimas que ninguém sabe que é um Machinima", prato cheio tanto pra flamers quanto pra fanboys.


Black Mage em pes--sprite.

A história dos Machinimas começa junto dos FPS - Doom, Quake e posteriores - que ofereciam arquivos replay com diferentes camera spots (modo espectador). Considerando que os jogos eram sobretudo em primeira pessoa (FPS, d'uh, apesar de existirem comandos para terceira pesssoa), camera spots faziam de um simples frag uma épica batalha de gênios. Isso foi no começo da década de 90, no entanto, o gênero ganhou atenção somente nos últimos cinco anos, quando surgiram séries Machinima que conquistaram a mainstream, como Red vs. Blue., sobre Halo. Neste ponto, Machinimas são muito parecidos com webcomics, particularmente falando dos sprite comics (sprites são as imagens 2-D de algum jogo, logo, sprite comics são quadrinhos feitos com essas imagens), como 8-Bit Theater, sobre Final Fantasy I. Parecidos no sentido de que são criados por alguém que é realmente fã daquilo, sabe do que está falando, mas muitas vezes não sabe o que está fazendo - e é aí que está o charme da coisa. Aos poucos o autor deixa a criatividade rolar, domina as ferramentas que está utilizando, adquire cada vez mais adeptos e merecidamente faz daquilo seu ganha pão. O autor de 8-Bit Theater, por exemplo, mantém uma loja virtual com produtos e acessórios da marca, e já publicou livros contendo parte das tirinhas de seu webcomic. É o caso também de Red vs. Blue, ainda que a série tenha parado.

Certas séries podem ter acabado, mas o gênero está longe disso, veja um apanhado de fatos que demonstram isso:

- A Blizzard, criadora e produtora de jogos como Starcraft, Diablo e Warcraft, já há algum tempo utiliza Machinimas para promover novos patches de World of Warcraft (do 2.1 em diante), eventos (dia dos namorados, L70 Elite Tauren Chieftan) e outras coisas aleatórias (April's fools).
- Inclusive, houve muita especulação em torno do filme de WoW, se seria em Machinima ou não, até que a Blizzard confirmasse que os estúdios que fizeram Beowulf estavam produzindo.
- Nos Estados Unidos pelo menos, o programa G4 especializado em jogos, manteve por dois anos uma série sobre a produção de jogos, em Machinima, é claro.
- Já teve direito a um festival no maior estilo Oscar, o Machinima Festival 2006, sendo que a edição 2008 já foi confirmada.
- E por falar em Oscar, Hollywood teve de reconhecer o primeiro longa-metragem em Machinima a se tornar pop-art, Anachronox: The Movie.
- Também começam a surgir os primeiros livros sobre Machinima, vide The Art of Machinima de Paul Marino, um dos pioneiros na área.
- E pesquisadores começam a despertar interesse no uso de Machinima para e-learning de baixo custo e alta qualidade, ou pelo menos foi o que entendi deste artigo que li.
- Pra não falar da MTV, que exibiu o primeiro clipe feito em Machinima, In the Waiting Line de Zero 7 (er... whatever?).

Hoje em dia, os principais Machinimas são sobre os jogos Halo, World of Warcraft, Half-Life, até mesmo F.E.A.R., Medal of Honor e Quake. Basicamente jogos ocidentais, para público ocidental. Creio que isto está associado tanto às origens dos primeiros Machinimas, quanto ao maior acesso a workstations capazes de editar e encodar vídeos veloz e virtuosamente, ainda que existam Machinimas relativamente famosos na China, Coréias e Japão. No Brasil não tenho notícia de qualquer Machinima famoso, ainda que haja um blog nacional.


Red vs. Blue, não, não é Pokémon

As séries costumam falar do dia-a-dia dos jogadores (Red vs. Blue sendo o maior exemplo, com várias citações a noobs, campers e leavers), enquanto que situações inusitadas são abordadas por stand-alones Machinimas (existem muitos, não dá nem pra citar...). São frequentes os casos em que pequenos Machinimas são introduzidos a recordings, como os vídeos de kills de bosses da SK Gaming, antiga MYM, guilda hardcore de WoW, e também de vários jogadores de PVP (Player vs. Player), também no WoW, que adoram animar seus personagens todos idênticos. Fan fics e short comedy são bastante fortes nos Machinima, basta entrar em Warcraft Movies e ver o acervo deles. Em especial os fan fics, que já contam com super produções de mais de uma hora de duração, como é o caso do já citado Anachronox: The Movie, assim como Tales of the Past III (que já falei aqui no blog antes), os lore movies de WoW (Vashj Kael e Illidan, e os Netherwing), assim como paródias musicais, onde não consigo deixar de pensar em Nyhm e suas várias paródias (Hard Like Heroic, Death Knight Spree, Ni Hao, Pretty Fly (For a Draenei), M.A.G.E., The Molten Chorus, Lockstar, Can't PUG KZ, 30 Seconds of Bliss Epic), todas bem engraçadas (ainda que ele não tenha nenhuma vocação para cantor :P). Finalmente, ainda sobre algum espaço pra arte conceitual, como os vídeos de Baron Soosdon (as séries Unlimited Escapism, Never Stay Tuned e Limited Escapism, I'm So Sick, The Fifth Horseman e o recente The Device Has Been Modified) e a revisão do clássico de H.G.Wells, War of the Worlds (que foi para os cinemas anos atrás com o ilustre cientologista Tom Cruise), no Machinima de Half-Life 2 (que oferece suporte a Machinimas com ferramentas da própria Valve), War of the Servers.

Espero que tenham gostado, esse post deu um trabalho danado! :P

Hyperion Cantos

Um universo onde todos os planetas estão interligados por portais. Um futuro onde a Terra foi destruída por um incidente chamado “O Grande Erro”. Mundos controlados pela chamada “Hegemonia do Homem”. Realidades virtuais. Seitas e religiões em conflito. Inteligências artificiais além do que jamais foi imaginado. Uma rede de informação infinitamente mais complexa que a nossa internet. Uma iminente invasão de uma raça obscura denominada Ousters. Sete peregrinos em uma jornada ao distante planeta Hyperion, habitada pela temida criatura chamada The Shrike.

Esses são os elementos que compõe a série chamada de Hyperion Cantos,vencedora do prêmio Hugo, escrita por Dan Simmons e que consiste em quatro livros: Hyperion, The Fall of Hyperion, Endymion e The Rise of Endymion. Como eu li apenas os dois primeiros, logicamente só eles serão comentados nesse review.

A melhor maneira de descrever os livros de Simmons seria como uma space opera no melhor estilo de Star Wars ou Duna. Ou seja, aquela ficção científica em larga escala, focando muito mais na história do que nos seus detalhes técnicos. De fato, existem diversos elementos fantasiosos que compõe a história.

A história se passa 700 anos no futuro, quando a humanidade se dispersou por diversos mundos. A maioria deles está conectada por portais, compondo assim a WorldWeb, regida pela Hegemonia. Esta é controlada por entidades de AIs que compõe o TechnoCore, capaz de calcular probabilidades e prever acontecimentos. Porém nem tudo é perfeito, e há um elemento que continua imprevisível: o planeta colônia Hyperion; as Tumbas do Tempo e o Shrike, que foram enviados do futuro por razões, motivos e grupos desconhecidos. E mais, os Ousters parecem estar de alguma forma obcecados pelo planeta. Para solucionar isso, o culto dedicado ao Shrike decide enviar sete peregrinos que irão decidir o curso de toda a humanidade.

O primeiro livro trata da narrativa desses sete personagens, cada um apresentado como uma pequena história, estrutura emprestada dos Contos da Cantuária, de Chaucer. As histórias variam de gênero, passando desde ao trágico até o cyber punk. O elemento em comum em todas elas é a presença do Shrike, uma criatura de quatro braços e coberta de espinhos, conhecida também como o Lorde da Dor. Como diz o verso do livro: “Existem aqueles que o veneram. Existem aqueles que o temem. E existem aqueles que juraram destruí-lo.”

Algo que é importante que o leitor saiba é que o primeiro livro não é auto-conclusivo e que assim que o terminá-lo, estará ávido pela continuação. Sua narrativa fragmentada ainda existe, mas não na mesma escala que o livro anterior. Mesmo assim a narrativa se mantém consistente até o final. Toda a história vai muito mais além do que foi descrito aqui, mas explicar mais seria contar spoilers, o que não irei fazer.

E simplesmente não há o que comentar sobre a narrativa de Simmons, que é extremamente “literária”, utilizando referências como o já citado Chaucer, o poeta John Keats (de onde vários nomes são emprestados, inclusive o título “Hyperion”) e Shakespeare, além de referências mais pop como os Beatles, O Mágico de Oz e a série Neuromancer entre outros. Os livros são daquele tipo em que simplesmente não se consegue parar de ler. Parece não haver limites para a criatividade de Simmons, que consegue surpreender a cada capítulo, misturando os mais diversos elementos num universo simplesmente fantástico. Seu trabalho pode ser comparado aos clássicos como Duna, e é uma pena que ele ainda não seja tão conhecido assim, pois seu trabalho é muito bom.

Mas apesar de ainda ser mais “obscuro” para muitos, foi anunciado recentemente que os dois primeiros livros serão adaptados para o cinema em um filme só, a ser adaptado por Trevor Sands. Como ele fará isso, eu não sei, mas espero que isso apresente a série para mais pessoas. Ela merece e muito.

PS: apenas algumas curiosidades: no anime (que eu não assisti) chamado The Melancholy of Haruhi Suzumiya, a personagem Yuki Nagato é vista lendo o livro. Além disso, a banda dinamarquesa de power metal Manticore fez todo um álbum baseado na obra: Hyperion. Curiosidades inúteis, enfim.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

As Aventuras de Tintim

Cá estava eu pensando em algum tema para escrever, quando por acaso um veio até mim. Estava com a televisão ligada e eis que passa uma propaganda de Tintim, desenho que marcou a minha infância, e certamente um personagem que marcou a infância de zilhões de pessoas ao redor do mundo.
Tintim foi criado em 1929 pelo belga Georges Prosper Remi, mais conhecido, ou praticamente só conhecido por Hergé. O surgimento de Tintim se deu nas histórias em quadrinhos, sendo lançados 24 álbuns, o último incompleto por conta do falecimento de seu criador.
Tintim é um repórter sempre acompanhado pelo seu simpático cachorrinho Milu. A escolha por essa profissão permitiu que Hergé colocasse Tintim em diversas situações ao redor do mundo, inclusive utilizando-se da verossimilhança com a realidade da época, a qual Hergé se aproveitava para fundamentar sua obra e refletir um pouco da sua opinião sobre os acontecimentos. Entretanto, isso não impedia doses de humor, calcadas tanto nas personagens quanto nas próprias situações narrativas.
Em vários casos investigativos, permeados por várias situações heróicas, em que Tintim se envolvia ele contava com o auxílio ou a participação de outras personagens marcantes nos quadrinhos e no desenho animado. A personagem secundária de maior importância é o Capitão Haddock, melhor amigo de Tintim, caracterizado por sua bebedeira e pelo seu sarcasmo, além do uso de algumas expressões. Podemos também citar os hilários e atrapalhados detetives Dupont e Dupond, com o famoso comentário “eu diria mais...” no qual um repete o que o outro acabou de dizer; e o Professor Girassol, o qual entende e age de forma oposta ao que lhe é falado por conta de seus problemas auditivos.


Na TV, Tintim teve duas séries, sendo a segunda a mais conhecida. A primeira, de 1961 contou com 104 episódios de 5 minutos. Já a segunda, de 1991 contou com três temporadas, totalizando 39 episódios de 25 anos baseados nos álbuns em quadrinhos.
Além do desenho estar passando no canal PlayTV, a Companhia das Letras está reeditando todos os álbuns que podem ser facilmente encontrados nas livrarias ou comic shops. Com certeza vale a pena dar uma conferida nessa obra-prima dos quadrinhos.
Atualmente, Steven Spielberg e Peter Jackson estão trabalhando para levar Tintim às telas de cinema. Estão previstos três longas, sendo que cada um irá dirigir um, e o terceiro terá um outro diretor a ser definido.